Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







sábado 13 xuño 2015

Quê foi do rock and roll? (polo regresso do Planeta Furancho)

por Ramiro Vidal, no Sermos Galiza:

Lembro-me que em certa ocasiom um prestigioso músico corunhês escrevera em La Voz de Galicia um artigo queixando-se do trato “de favor” que recebia o rock bravú, da atençom sobredimensionada que se lhe concedia na mídia, sementando pérolas tais como que as bandas bravús eram “mimadas” polas cámaras municipais, que se lhes subvencionava, se lhes ajudava a organizar concertos e outras afirmaçons que eram falsas de plano. O rock bravú, sim, foi aquele momento no que o rock em galego se converteu num fenómeno de massas, mas fazer rock em galego, ou música em galego em geral nunca foi fácil. Quem fai música em galego joga com desvantagem.

A música em galego é inevitável, será-o enquanto a língua galega existir. E tem o valor de aquilo que resiste e persiste contra a teima do poder por eliminá-lo. Silenciar as vozes incómodas, a base de condená-las a serem ignoradas. Suprimir os seus espaços de resistência.

O Planeta Furancho era esse lugar entre as ondas hertzianas, onde o galego era o idioma da música, onde @s galego-falantes podiamos reafirmarmo-nos em que era possível pensar em tradicional e em moderno alternativamente, ou aleatoriamente, sem deixar em todo momento de fazê-lo em galego. Para @s nom galego-falantes era umha janela a um oceano de ideias estranhamente oculto. Lá acima, nos escritórios onde se decide quem deve ter voz e quem nom, de quê devemos gostar e de quê nom, um dedo assinalou e umha caneta riscou: havia que suprimir o Planeta Furancho. Essa trincheira que unia indivíduos, localidades, projetos, sob a ideia sempre revolucionária de fazer música em galego. O problema era a falta de audiência? Nom, o problema era que a audiência encontrava naquele planeta libertado um espaço para expressarem-se e onde ver-se reflectida. É importante reconhecer-se na música. E, claro...quando um ente controlado políticamente por quem despreza a nossa língua constata que lhe está a dar oxigênio a um espaço que dá umha imagem da língua galega absolutamente oposta à imagem que ao poder lhe interessa que tenha, e quando resulta que quem fai possível a existência do Planeta Furancho nom se dedica precisamente a adular a esse poder...a sentença de morte está servida.

Só convido a fazer umha singela reflexiom: quem pode estar satisfeito com a desapariçom do Planeta Furancho, e quem polo contrário se verá perjudicado? Quem sai perjudicado é evidente, quem se benefícia da operaçom cirúrgica de extirpaçom quiçá tenha a sua guarida burocrática em Sam Caetano.
Quê foi do rock and roll? Perguntam muit@s...porquê enmudeceu? Alguém nom quer que Rosalia de Castro baile rock and roll. É demasiado perigoso. Se a língua galega é também da gente jovem, a alguém se lhe podem estragar os planos. A soluçom final nom poderá ser aplicada.
Quê foi do rock and roll? perguntavam os Impresentables, aqueles mods de Vimianço. Vaga polos sendeiros do desterro. Contrariamente ao que dizia aquele francotirador por encomenda de La Voz de Galicia, o rock and roll e demais músicas pensadas e respiradas em galego, nom habitam à beira do poder e tenhem que luitar por cada ferrado que ganham, sem ter nunca garantido conservá-lo.
O Planeta Furancho deve voltar às ondas; libertem ao Planeta Furancho. Restituam-lhe o seu direito a existir para podermos cantar a nossa realidade na nossa língua.

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