Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







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venres, 17 de xuño de 2022

A gheada, traço fonético


 por César Morán en Nós Diario:

O artigo de Pilar García Negro nas páginas de Nós Diario, intitulado "Carta aberta aos 'jeadistas'", parece que estivesse a remover os alicerces da terra. Depois de ler comentários de todo tipo nas redes sociais, aparece no mesmo jornal o artigo de Henrique Monteagudo "A gheada reivindicada", e é bom que se produza um diálogo público que sempre resulta enriquecedor. Das redes sociais melhor escapar, pois é fácil assustar-se ao ver o trato desqualificador, gratuito e inconsequente que vem sendo maioritário, infelizmente. Mas levando como levo algum tempo sem falar publicamente sobre língua, sinto-me impulsado a escrever estas linhas, e tenho que estar substancialmente de acordo com Pilar García Negro, que por um lado segue o discurso de Carvalho Calero e, particularmente, a teoria de José Luis Pensado sobre a origem da "gheada", posteriormente seguida e desenvolvida por outros filólogos. Ainda assim, não entendo por que escreve "jeada" com "j", quando esta letra –indiscutivelmente galega– é a própria para representar, no seu caso, o nosso som fricativo palatal xordo (evoluído do antigo sonoro) em harmonia com o nosso sistema linguístico, com o qual a professora poderia introduzir confusão em leitoras e leitores. Além disso, não tenho tão claro que se deva assessorar @as artistas (músicas, poetas, rapsodas, recitadoras, contadoras de contos...), indicando-lhes se hão de usar a "gheada" ou não a usar, pois de algum modo tais artistas reproduzem a realidade contextual em que estamos, e a "norma" é cousa de linguistas.