Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







luns 03 agosto 2015

A minha criança fala em galego

por Ramiro Vidal no Sermos Galiza:


A minha criança é umha excelente estudante, obtivo umhas magníficas qualificaçons ao final do periodo acadêmico, e agora toca-lhe disfrutar do verao...quê melhor que premiá-la inscrevendo-a num acampamento desportivo, por exemplo? Pode haver melhor prémio que estimular as suas afeiçons? Claro que, o monitorado vai ter que ter em conta umha circunstáncia especial. E qual é essa circunstáncia?


A minha criança padece algumha alérgia perigosa? Tem algum problema sicomotriz ou de mobilidade? Tem dificuldades cognitivas? Tem algumha malformaçom ou algumha enfermidade sico-somática? Algumha discapazidade sensorial? Quê é isso tam especial com o que o monitorado deverá ter atençom?
Pois essa circunstáncia especial que o monitorado terá que atender, nom é nengumha discapazidade, nengumha patologia nem nengumha enfermidade. Nom é nada disso, é apenas que a minha criança fala em galego. Vaia! Umha criança que parecia tam normal, tam saudável, tam esperta e tam simpática...olha, resulta que fala em galego...e porquê???
Pois se calhar terá a ver com que o pai, a mai e em geral as pessoas que a educam e socializam, pertencem à rara espécie que pensa que na Galiza nom deveria de haver nengum problema porque umha criança cresça e descobra o mundo em galego. Ela expressa-se em galego com absoluta naturalidade porque é a sua primeira língua. Tem um bom nível de espanhol e inglês. Mas a sua língua é o galego. A criança entende-o assim, porque assim lho fixemos entender. Claro que às vezes, alguém de fora da casa se encarrega de desfazer o feito pola família e a contorna durante todos estes anos.
Sim, é umha dura batalha todos os dias. Sempre há alguém que pregunta “...e porquê lhe falades à cativa/ao cativo em galego?” E sempre há que exercer a mesma pedagogia. A ela também lhe perguntam com freqüência na escola o porquê dessa estranha conduta. Porquê fala assim?
É difícil ser feliz se che negam o direito a existir. Cada vez que che perguntam porquê falas em galego mesmo em contextos predominantemente hispanofalantes ou porquê lhe falas em galego à tua prole é umha execuçom pública em toda regra. Porquê falas em galego? Zas! Sona a machada do carrasco, trás a voz do inquisidor. Muito falar de democracia e de liberdades, mas esquecemos que neste esado em princípio, ninguém está obrigado a declarar sobre a sua ideologia, o qual, traduzido aos concretos da vida diária, significa que eu nom tenho porquê dar explicaçons por exemplo sobre a minha conduta lingüística. Claro que é umha questom de consciência, mas tenho direito a agir segundo a minha consciência. Mas quando falas em galego, és sempre umha vítima potencial de quem procura o prémio fácil “porquê falas em galego? Ah!!! Estades a ver??? Desmascarei um nacionalista!!!” O inquisidor converte-se em juíz e carrasco que julga e executa in situ, ao vivo e em direto. Primeiro inquire, depois emite um juízo de valor e o clímax do auto de fé chega com o descer da machada.
Nom, os pais e as mais que decidem educar e socializar em galego nom som delinqüentes e absolutamente ninguém tem direito a perguntar-lhes com ánimo de julgar sobre a sua decisom. Um pode pensar o que quixer, mas nom tem direito a julgar publicamente. A convivência democrática é isso. Um pode pensar diferente e achar que a decisom do vizinho é errada, mas o vizinho é soberano na sua decisom. E nom há explicaçom nengumha que dar.
Eu nom deveria ter que explicar-lhes aos responsáveis que a minha criança fala em galego, nem pedir-lhes que a atendam em galego, e por suposto menos ainda deveria ter que explicar que a minha criança tem perfeito direito a se expressarem em galego, que isso nom é umha eiva, que é umha opçom totalmente legítima e absolutamente legal.
O acontecido no Centro Hípico Casas Novas nom tem a mais mínima justificaçom e o que nom pode ser é que nom haja conseqüências. Porque a soluçom nom é que umha criança que nom fixo nada mau, nada que distorsionasse realmente o desenvolvimento das atividades ou a convivência entre usuári@s e/ou monitorado, abandone o acampamento. Como mínimo, há duas monitoras que deveriam ser nom já despedidas do seu posto de trabalho, mas incluso inabilitadas para exercer o monitorado. Nom há matizes, nom há versons, nom há contextos que valham. Só há umha interpretaçom: há duas pessoas que abusarom das suas potestades como monitoras para humilhar a umha usuária das atividades do acampamento. Nom. Nom há nada que opinar. Fora do exercício do monitorado, desportivo e de qualquer tipo, para sempre. Há que ir contra essas monitoras. Fora.
Por outra parte, é claro que se nalgum momento houvo algumha ajuda pública para as atividades do centro, deve deixar de havê-la. A Xunta colabora com a organizaçom de acampamentos e outras atividades docentes ou de eventos competitivos que tenhem lugar nessas instalaçons? Isso deve deixar de acontecer. Nom. Nom há matizes. Segundo o estatuto, qual é a língua própria da Galiza? Olho! Galiza só tem umha língua própria!
Nom há que procurar o diálogo com o supremacismo lingüístico, há que conseguir que os supremacistas lingüísticos se confinem nas suas reservas supremacistas, nos seus micro-mundos, para fazer apologia da sua ideologia exterminadora. Que nom poidam expressar e impôr as suas opinions publicamente, que as tenham que guardar e tenham que aceitar a realidade de que na Galiza os que falamos galego nom somos estrangeiros.
E sobre tudo, nom há que debater nem explicar. Simplesmente há que exigir. O inimigo nom tem razom, e só cabe derrotá-lo. As crianças que falam em galego nom merecem ser excluídas e tenhem direito a serem respeitadas. Nem um abuso contra elas e toleráncia zero perante qualquer mínima agressom.

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