Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







xoves 17 setembro 2015

38%

Valentim Fagim, no Praza:

Uma das diferenças, sintomática, entre uma língua com estado e uma língua sem estado é a ligação desta última com as percentagens. Para já, quantas pessoas a falam, a escrevem, a entendem, acham bem ou mal que se promova socialmente e mil e dous itens mais. Para as línguas com estado, no mínimo naqueles territórios onde é hegemónica, o esquema é outro. Nem sequer interessa demasiado quantos emigrantes a assumem porque, tarde ou cedo, vão ter de a assumir ou se tem muito ou pouco peso na produção científica porque os cientistas são quatro gatos pingados.
Na Galiza a presença das percentagens tem especial relevância no quadro do ensino obrigatório. Pense-se nos mantras 50% e 33%. A este respeito existe uma pergunta incontornável que devemos responder: que percentagens de horas escolares devem ser em galego para “colaborar” a que os alunos e alunas galego-falantes conservem a língua transmitida polos seus pais?
É certo que existem muitos fatores, para além do ensino formal, que incidem na língua da miudagem e da adolescência. Ora, relativamente ao ensino, só serve 100%.
Como se sabe, é a conclusão a que chegaram na Catalunha ou em Castela. Em ambos os territórios aplica-se a chamada imersão linguística, sem limite em Castela e com limites crescentes na Catalunha. Na verdade, chegaram à mesma conclusão numérica em mais sistemas educativos, como é o caso do basco e do valenciano, mas as suas elites não aplicaram. No caso basco optaram por um sistema de três vias, euskera como língua veicular, castelhano como língua veicular e um misto de 50%. Das três vias, só a primeira garante um desempenho alto nas duas línguas oficiais, talvez por isso seja a mais solicitada, por volta de 70%. No caso valenciano, por sua parte, optaram por duas vias, uma em catalão e outra em castelhano.
Valência e a Galiza têm um ponto em comum a respeito do País Basco e Catalunha. As suas elites são nacional-espanholas, portanto aspiram a formar cidadãos espanhóis. É o natural. Valência, como a Galiza, tem duas línguas oficiais mas a sua gestão não é um jogo de toma cá, dá cá com %. Os progenitores que falam catalão e querem transmitir a língua aos filhos podem escolher, durante o dilatado governo do Partido Popular nem sempre, um sistema educativo 100% na língua própria.
Este sistema de vias é poderoso porque permite reunir alunos que falam uma língua menorizada em lugar de os diluir. Pensemos nas cidades e muitas vilas galegas. A língua dos iguais tem um peso relevante nos usos linguísticos das crianças e os adolescentes. Nos adultos também mas sempre está mais aberto a exceções.
Na Galiza, infelizmente, este debate não fai parte dos debates possíveis porque está barrado por algum dogma de fé. O ensaio-erro ainda não está generalizado no terreno da planificação linguística. Perante o silêncio da religião, o sistema educativo galego é uma máquina quase perfeita de criar cidadãos espanhóis que se expressam em castelhano. Eu sei, os do PP são muito maus, são o diabo mesmo, mas porque se facilita tanto o seu labor? Por que não experimentamos novos caminhos?
O número que fai parte do título deste artigo, 38, é a percentagem de alunos e alunas que estudarão na via em catalão no presente ano letivo.

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