Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







martes 15 maio 2012

Umha língua nom é...

por Valentim Fagim, no Portal Galego da Língua:


Estamos num concurso televisivo do tipo uma pergunta com três respostas. A dada altura, a apresentadora olha para o ecrám e lê em voz alta: umha língua nom é... As respostas possíveis som três: Pepino, Comunicaçom, Identidade.

É habitual usarem-se metáforas biológicas para descrever a realidade linguística. Costuma fazer-se por duas razões básicas, por afã pedagógico e porque sempre se tem feito assim. Este segundo argumento, como sabemos, nom interessa lá muito.
Como as línguas som seres vivos, “venhem” de outro ser vivo, e assim o galego vem do latim e o português vem do galego, o que nom impede que o português e o galego sejam línguas irmãs, o castelhano primo de ambas, o francês umha sorte de primo segundo e o spanglish, supomos, um filho ilegítimo. Como se chama o filme? Paixom de genealogistas.
Outra variante desta metáfora pedagógica gira em volta do ítem “Evoluir”. Da mesma forma que os Neardentais evoluírom de forma diferente que os Homo Sapiens, com a mesma “naturalidade” e “irreversibilidade”, o galego e o português evoluírom de forma autónoma. De aqui à teologia, auto-estrada sem portagens.
O inconveniente fundamental de confundir umha língua com um pepino é que obviamos que as línguas som realidades sociais, e som as sociedades e as suas elites as que as constroem, nom os genomas. Seja dito de outro modo: umha língua nom é um pepino. Se o que se trata é de pedagogia... é plasticina.

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