Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







venres 03 outubro 2014

Orgulho de neofalante

por Alfredo Ferreiro na Praza Pública:


Sou falante de galego desde que decidi assumir como própria a língua que a minha mãe, que deseja sempre o melhor para mim, escolheu não me transmitir. Rejeitava ela a fala que tinha aprendido com a família, e que se vinha falando desde que a gente tem memória. Porém, não foi em rigor uma decisão apoiada na carência, mas todo o contrário, alicerçada na estrita provisão de recursos, algo profundamente humano e por isso nada estranho ao amor maternal.

Ela já tinha apreendido e logo experimentado que um futuro era possível só se a gente falava uma língua, e que aqueles falares que percebem as favas e as vacas não são ótimos para arranjar um trabalho como os que na modernidade a gente precisa. Por isso, ao tempo que me alimentava com o melhor que brotava do seu peito, também me negava, sem sabê-lo, um alimento que eu tive de apanhar entre o que a ela lhe sobrava, e que na aldeia ainda nascia com a naturalidade do que sempre brotou ali.
Amo a minha mãe, mas detesto a infinita ignorância que a Espanha (todos os seus agentes desgaleguizadores, aquém e além) têm sementado na Galiza, e que faz com que a gente, a partir do exemplo do idioma, não tenha apreço pelas mais autênticas tradições.
Nunca pensei que tinha adotado o galego face ao meu castelhano inicial por uma atitude antissistema. Acho melhor que foi uma coerência, provavelmente inoculada por via artística e intelectual, que me levou a sentir como próprio aquilo que rebordava sem trégua sob o leve manto de espanholidade que respirava à minha volta. É sem dúvida uma questão de sensibilidade, e não só para ser alvo de algo alheio que nos marca senão mesmo para ser penetrado por uma realidade que se pressente, e que, de um modo íntimo e prévio a todo raciocínio, precisamos absorver.

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