Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







sábado 18 maio 2013

O telescópio e a Internet

por Valentim Fagim, no Sermos Galiza:

Na hora de encetar um artigo, um dos momentos mais delicados é saber como vai finalizar. No caso deste escrito é simples: eppur si muove. Foi a frase que, ao que parece, proferiu Galileu Galilei quando tivo que renunciar, perante a inquisição, ao que sabia: a terra gira em volta do sol, não ao revês.

Para chegar a tal conclusão, que já era antiga, serviu-se de uma ferramenta fundamental, o telescópio. Inventado em 1608, veu a jogar um papel importante na história: abrir a possibilidade de ver o que existia apesar de ser negada a sua existência.
A Internet, como se sabe, também tem marcado um antes e um depois na história da humanidade, o que inclui a Galiza e a nossa língua. Nos anos 80 e 90, aquelas pessoas que vivíamos o galego como sendo uma língua mundial, fazíamos percursos longos e um bocado cansativos até o Porto na procura de livros, discos, vídeos ou mesmo de conversas. A Internet abalou tudo ao o tornar mais acessível.

Hoje muitos dos nossos cidadãos e cidadãs, nem sempre galego-falantes, recorrem à Internet para procurar na wikipédia quem era o Preste João, para baixar filmes na www.baixarfilmesgratis.net, para que as crianças cantem com o Pintinho Amarelinho, para brincar no Rachacuca ou para ouvir música na Cotonete. Afinal fazem, fazemos, o mesmo que os cidadãos castelhanos com o castelhano, os alemães com o alemão e os brasileiros com o... pois, a nossa.
Ora, a mudança da Internet foi para além de dar serviços. Permitiu, ainda, visibilizar as pessoas e o próprio movimento social que contestava e transbordava o guião o-galego-é-a-língua-apenas-dos-galegos e o-galego-dá-para-o-que-dá.

É importante lembrar que, sob a premissa [não o nomeamos, não existe], a estratégia do Statu Quo na Galiza fora, e ainda é, invisibilizar este movimento. A Internet, como antes o Telescópio, permitiu assim visibilizar o que de facto existia e gravitava e muitas vezes com grande dinamismo: os locais sociais por toda a nossa geografia, a escola infantil Semente, o Novas da Galiza e o Diário Liberdade, o Portal Galego da Língua e a AGAL, a AGLP, a Galicola, grupos musicais, editoras, empresas e tantas outros satélites, cometas e galáxias que não saíam nas encíclicas.

Eppur si muove

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