Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







luns 27 febreiro 2012

Requiem por um neofalante que não foi

por Edelmiro Momám, no Portal Galego da Língua:


Vinha de começar a minha tese de doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela. Partilhei, durante uma temporada, um dormitório numa residência universitária com um estudante do último ano de carreira duma faculdade de ciências experimentais. Ele era da Corunha, muito bom rapaz. Falava castelhano com quase todas a pessoas, agás comigo. Comigo falava galego com grande soltura e naturalidade. Mas só na intimidade. Se havia mais alguém, normalmente falava castelhano. Se por vezes continuava em galego, falava mas mais baixinho, entrecortado.Eu nunca nada disse nem insinuei sequer. Fiz por que o meu rosto não transparentasse o mais leve estranhamento. Ao cabo, eu começara a falar galego não havia tanto tempo e compreendia perfeitamente o que se passava pela sua cabeça. Porém, conhece-se que, uma noite e embora nunca foram pedidas, ele sentiu a necessidade de dar explicações."Eu gostaria de falar galego". Disse. "O tempo todo. Mas não é fácil. Se a gente toda falasse galego eu falaria galego. Ou se pelo menos fosse normal...".Eu, fazendo as vezes de advogado do diabo, inquiri, aparentando ingenuidade: "E logo, ho? Não énormal?"."Não é não. Antes falar galego era de paletos, agora se falas galego já te perguntan: ¿Qué pasa, eres del Bloque o qué? Falar galego não é neutro. Se for neutro, eu falaria sempre ou quase sempre em galego".Fiquei calado um instante, a reflexionar. Depois sentenciei: "É verdade, mas se todos fazem coma ti, ninguém falará nunca galego e a língua morrerá"."Já o sei". Reconheceu ele. "E é triste, mas eu não posso... é muita pressão... não gosto de ser catalogado de maneira preconceituosa só pela língua que falo".Mádia leva. Ninguém gosta de ser (pré) julgado continuamente. De que uma atividade que deveria ser o mais natural do mundo, falar, tenha de se converter numa revindicação constante, num ato de auto-afirmação permanente. Numa atitude de firmeza que nem todos estão dispostos ou se podem permitir o luxo de manter em permanência. Mas cumpre lembrarmos que nós, os que falamos e defendemos a nossa língua, não escolhemos vivermos neste contexto, nesta situação anómala. Nós não criamos os valores dominantes e semelharia que nem estamos a ter força avondo para os mudar.As classes dominantes criaram os estigmas, primeiro, o estigma de classe (el gallego es de paletos), e, depois, o estigma ideológico (si hablas en gallego sólo puedes ser un nacionalista). E os estigmas cumprem a sua função que é que pessoas como o meu parceiro nunca ousem dar o passo. Que sempre esteja conotado. Que nunca seja normal.

Vía CGENDL 

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