Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







mércores 12 decembro 2012

O ano em que caíram os falsos consensos

por Xosé Carlos Morel, en Praza Pública:


Após a sentença do TSJG anulando artigos centrais do decreto do Governo da Galiza contra o galego (que aparente contradição, não é?) alguns quiseram imaginar que o tempo dera marcha trás e estes quatro anos foram um pesadelo passageiro, um mal sonho do que por fim espertamos para iniciar a volta à realidade cor-de-rosa do consenso.

Esse maravilhoso consenso imaginado consistia em que o "respeito e proteção" que promove a Constituição espanhola para a nossa língua serviria para "normaliza-la", o que no nosso caso consiste em dar-lhe um Estado (conjunto de leis) sem termos ainda uma nação (sentimento de pertença) majoritária que o reclamasse e sustentasse. O plano portanto consistia em dotar o galego de proteção legal e presença em novos âmbitos, para que a população castelhanizada o aceitasse nas suas vidas como algo normal, amável, harmónico, cordial, e se incorporasse ao grupo nacional galego desde o bilinguismo.
Do que se tratava portanto era de intentar imitar o fundo do modelo de normalização linguística do catalão, e nessa aventura embarcou-nos uma intelligentsia galega carente em todo ponto de talento e inteligência, pois como é evidente, Catalunha não é Galiza: ali sim existia e existe uma nação majoritária e uma sociedade viva, capaz de articular um "Estado" que exerça de pólo atraente à incorporação idiomática para as minorias procedentes na sua maior parte da imigração, e por tanto com desejos de realizarem movimentos sociais ascendentes.
Na Galiza em trocas, a situação era e segue a ser a inversa, e o nosso "Estado" (conjunto legal) considerando o galego como objecto de "respeito e proteção" -"probiño" necessitado de solidariedade e ajuda- não exerceu nem podia exercer nenhuma força de atracção cara a uma burguesia castelhanizada nem de retenção de galego-falantes. Mais bem causou o efeito contrário (e esperado?): pouca gente gosta mostrar-se como indigente. E esse negacionismo socialmente inevitável viu-se ademais agravado pola crise: quantos mais meios económicos (do Estado espanhol) se destinassem a corrigir a situação, maior o agravo comparativo dos que ademais contam com vento ideológico de popa.
A operação de fazer o galego atractivo para os utentes do castelhano fez-se desde o outro grande erro científico e social: legitimou-se um híbrido que respondesse àquelas falsas expectativas (fácil de aprender e usar desde o castelhano) em lugar de aproveitar as muitas vantagens e forças próprias que temos na nossa História e no despregue mundial do nosso idioma.
Por suposto que o que funciona em Catalunha não tem por que funcionar igual de bem noutras latitudes. E os intelectuais podem usar a cabeça para algo mais que para levar coroas de santarrões.
Agora a agressão que o ministro Wert acaba de levar a cabo contra o catalão, nessa incontrolável espiral que terminará por expulsar Catalunha do Estado espanhol, e que deixa o galego como vítima colateral, pode ser para nós a ocasião definitiva para Galiza espertar do seu sono: de fazer que os Cavalheiros de Alta Estatura Moral que vivem da submissão -respeito e proteção- do idioma tirem as suas sujas mãos do pouco digno dele que fica em pé. Que quanto menos os que temos consciência da dignidade do País e o idioma, sejamos muitos ou poucos, recebamos não o respeito e proteção do Estado e as suas leis, mas o direito próprio -que nasce do conhecimento- para desenvolver a nossa língua e cultura e a dar-lhes a estas um futuro, para nós e os nossos filhos.
Não somos a maioria, nem o seremos em muito tempo. Mas isso não quer dizer que tenhamos que resignar-nos a ser Vichy. Tampouco quer dizer que não aspiremos a chegar a toda a sociedade galega, também à que não tem consciência de País, a que fala em castelhano e mesmo à que "le da bajón" ouvir falar em galego. Mas há que faze-lo bem, com inteligência. E para isso temos que defender o nosso idioma com as nossas próprias fortaleças.
Isso não significa que Galiza renuncie a todas as contribuições nacionais e linguísticas que também nos enriquecem pessoal e colectivamente. Mas, precisamente, se não consideramos o nosso idioma como autónomo e diferente do castelhano (porque o é), tudo o que venha dele será para aprofundar na conversão do nosso em algo secundário.
A patada que Wert acaba de dar-nos no cu de Catalunha só pode ter aqui uma resposta: deixar de chorar polo consenso que morreu e desfazer o que se fez mal de início. Sabem-o todos os que não têm preconceitos quinta-essencialistas obtusos dum lado e doutro. Já não é só cousa de intelectuais e auto-conscientes. Agora já é cousa de todos e todas.
Tanto admiramos a Irlanda, e afinal é a Islândia quem temos que olhar. Ali foram capazes de se rebelar contra os vampiros económicos e políticos que arruinaram o país para volver construí-lo. Poderemos fazer nós isto algum dia com o nosso idioma e contra os Homens de Alta Estatura Moral que nos deixaram aos pés dos cavalos?
Não é uma esquentada. Tampouco proponho irmos às barricadas nem botarmo-nos ao monte. Trata-se de tudo o contrário: de converter o exercício ascético e legalista de vivermos como o último mohicano em vontade política, porque sim que existem propostas políticas para desenvolver as potencialidades próprias da Galiza, e não viver do cacho de miséria que o sistema cultural-legal espanhol nos deixa. Mas estas propostas políticas ainda não estão completamente à vista: há que procura-las. Sigam a pista

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