Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







venres, 25 de marzo de 2011

13 culherinhas numha caixinha negra

por Séchu Sende, como é normal nel, excepcional, cun fermosísimo contiño sobre a transmisión interxeneracional, en Galicia Confidencial:

-Nom tenho demasiadas, afortunadamente. E digo afortunadamente porque cada vez que consigo umha é como se medrasse a minha tristeza... ás vezes, outras, a raiva. Já perdim a conta delas, tenho-as nesta caixinha negra, olha. Ves, som culherinhas pequenas, prateadas, todas som diferentes.

Contei-nas. Brilhavam. Havia doce culherinhas.

-Esta foi a primeira, -dixo Luísa colhendo umha-. A mim encantava-me jogar de nena com ela e um dia dixo-me minha avoa, recordo-o perfeitamente, dixo: Esta culher agora é tua. Coida-a bem e limpa-a com limóm, que é de prata. Recordo-o como se fosse hoje: Esta culher... agora é tua. Esta culher... dixo. Guardei-na como um tesouro até hoje. Despois minha avoa puxo-se a pelar umha laranja.

Luísa tem duas nenas. Umha de cinco anos, Inés, e outra de dez meses, Maruxa. Saímos dar umha volta e entramos num bar, na Rua do Príncipe. Pedimos duas cervejas. Maruxa começou a chorar no carrinho e Luísa colheu-na no colo. 

- Tem fame, dixo.

Sacou um tarrinho do bolso, mostrou-lho á nena, que deixou de choromicar, e dixo-lhe: 

- Hoje preparei-cho de laranja e pera. 

E dixo-me a mim: 

- Nunca levo culherinha no bolso. 

Ergueu-se e achegou-se á barra com a nena no colo.

- Olá, poderia deixar-me umha culherinha?

A camareira dixo: Que?

- Umha culher, -repetiu Luísa..

- Que?, -repetiu a camareira. Teria uns trinta anos.

- Umha culher, repetiu.

- Eh?, repetiu a camareira.

- Umha culher, -repetiu Luísa sinalando com o dedo umha culherinha que havia sobre a barra um pouco mais alá.

- Ah!, exclamou a camareira.

Luísa voltou com a culher e dixo enfadada, indignada: 

- Outra para a colecçom.

E dixo: 

- É triste que haja alguém que nom te entenda no teu próprio país quando pides umha simple culher.

E dixo: 

- Por isso é triste a minha colecçom, porque medra com a ignoráncia da gente... E da-me raiva. 

Quando Maruxa acabou a pera com laranja e nós, as cervejas, Luísa guardou a culherinha no bolso, paguei e marchamos. Na rua Inés prendeu-se da mao de sua mai e dixo-lhe:

- Mamá, sabes, vou começar umha colecçom de garfos

2 comentarios:

  1. Anécdota ben reveladora. A min pasoume o mesmo hai uns anos. Eu pedira non sei o que, non me lembro, e cando o interlocutor me deu entendido respondeu cun "¡Es que me lo dices en gallego!". Curioso país este no que non te entenden ao falar a súa lingua, todos din comprendela e todos din non ter nada na súa contra.

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  2. Por poñerche outro exemplo de que a cousa é moi común:
    http://cartaxeometrica.blogspot.com/2010/03/o-xel-el-gel-set.html

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