Quero aplicar a miña ciencia á lingua para pintar a face do noso maior ben colectivo: o galego







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mércores, 19 de outubro de 2022

Sinais obscenos de esmorecimento

 


por Carlos Garrido no Nós Diario:

Nas condiçons em que o galego chegou ao decénio de 1980 –muito precárias polo que ao seu corpus, status e prestígio social di respeito–, só a execuçom resoluta por parte da administraçom de um programa de regeneraçom lingüística que, com inteligência e convicçom, abordasse eficazmente cada um desses ámbitos deficitários –e do qual, de forma indispensável, deveria fazer parte essencial um reintegracionismo conseqüente– teria tido algumha oportunidade real de conseguir para a nossa língua na Galiza um estado próximo da normalidade cultural. Na ausência de tal programa e praxe, governada desde entom a Galiza por partidos do nacionalismo espanhol que, no máximo, fam concessons lingüístico-culturais a um regionalismo inócuo, etnográfico, o gal., hoje, continua a padecer enormes défices no seu corpus, no seu status e no seu prestígio social efetivo. Agora, no segundo decénio do séc. XXI, como conseqüência de esse gal. concorrer no seu território com o potente castelhano –eficazmente promovido polo Estado–, a nossa língua caminha com passos certos para umha próxima extinçom social, dizimada no número de utentes novos, menorizada pola sua formalizaçom isolacionista e sem prestígio comunitário efetivo. Se o gal. fosse um edifício, agora estaria a piques de ruir; se fosse um doente, estaria à beira da morte. Os desastres arquitetónico e sanitário seriam inassumíveis para a administraçom, mas o poder autonómico nom está preocupado com o abrupto declínio do gal.: para ele, é lei natural, de modo que o combate entre o competidor caquético e o competidor robusto deve continuar sem efetiva intervençom do árbitro político.

 

luns, 13 de novembro de 2017

O Hyundai Kona na Galiza, o Hyundai Koño em Castela: um (auto)desprezo possível/impossível

por Carlos Garrido no Sermos Galiza:


 0 °C [leia-se «zero graus Celsius»]. Bieito: «Imagina, amigo Benito, que um fabricante sul-coreano de carros, digamos que a Hyundai, designa como Koño um novo utilitário desportivo, porque Koño —é um suposto— é o nome de um distrito ocidental, muito turístico, da ilha do Havai. Seria, entom, possível que esse carro fosse introduzido no mercado espanhol, e em Castela, sob a denominaçom Hyundai Koño?» / Benito: «Ah, ah! O que dis, Bieito? Estás de brincadeira? Isso seria impossível, porque em castelhano —e como é possível que o ignores?— a palavra coño é voz grosseira, que denota a vulva da mulher. Isso seria indecente, indigno, constituiria um escándalo, e o fabricante seria alvo de merecidas campanhas públicas de irrisom e de escárnio. Teria de mudar logo o nome do carro, se quigesse vender bem! Observa que o originalmente chamado Mitsubishi Pajero, em Espanha já foi comercializado com o nome de Montero, para se evitar a ligaçom com cast. paja ‘masturbaçom, punheta’. O que propós que imagine é, portanto, cousa verdadeiramente contrafactual!» Facto: A Hyundai acaba de introduzir o seu novo utilitário desportivo no mercado espanhol, e portanto na Galiza, sem qualquer oposiçom dos notáveis galegos, sob o nome Hyundai Kona!